Russos requentando troladas de satélite do tempo da Guerra Fria

A Guerra Fria foi meio que baseada em insanidade. O próprio termo MAD – Mutual Assured Destruction (destruição mutuamente assegurada) mostra o quanto todo mundo era tarja preta naquela época. Em alguns momentos eram não mais que crianças, ou melhor: adultos disputando quem tinha o maior ICBM.

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Um dos casos clássicos foi quando a National Geographic publicou uma reportagem onde satélites da NASA haviam descoberto canais de irrigação no delta do Nilo, enterrados por milênios. A descoberta foi real, mas a NASA não tinha nada com aquela capacidade.

Eram satélites espiões do NRO, e a mensagem era para os soviéticos: parem com os projetos de silos subterrâneos, nós conseguimos enxergar do mesmo jeito.

Os russos por sua vez devolveram a gracinha, publicando imagens da Área 51, nome popular da base de testes em Nevada, tão secreta que sua própria existência era negada, apesar das placas avisando que intrusos seriam executados sumariamente. A neurose de segurança era tanta que imagens da Área 51 não apareciam nem em catálogos de imagens de satélites espiões norte-americanos.

Aí russos soltam uma foto do lugar, pra todo mundo ver.

Essa forma de mostrar capacidades de um jeito disfarçado é bem comum. Em 1959 um número da National Geographic saiu com várias matérias sobre a União Soviética, o que não era inédito mas incomum, e uma matéria sobre a Marinha dos EUA, falando sobre os submarinos lançadores de mísseis Regulus.

Submarinos nucleares respiram segredo. Nem os tripulantes sabem onde estão e qual é a missão, as famílias então só sabem da duração da patrulha. Por onde vão passar, mistério. Qual a velocidade? Rápido. Quanto mergulha? Fundo. Qual a autonomia? Quem sabe.

Eis que no mapa do Pacífico na reportagem aparece um submarino desenhado colado na Península de Kamchatka, zona estratégica soviética. Foi algum engano? Algum estagiário comeu mosca com material secreto e não apagou o submarino? Quem sabe? A certeza é que a revista ia chegar em Moscow, analistas iriam dissecar o artigo, ver aquilo e no mínimo na dúvida desviar forças para patrulhar a região.

A última veio de Moscow. Em 26/12/2014 os russos lançaram o Resurs-P2, esse bicho aqui:

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É um “satélite de observação terrestre”, com câmeras multiespectrais e resolução (oficial) abaixo de um metro por pixel. Sim, é absoluta e descaradamente um satélite espião.

Depois de alguns dias de manobras ele assumiu sua órbita padrão, entre 467 km e 499,6 km de altitude e inclinação de 97,276 graus em relação ao Equador. Mais uns dias de testes e calibração, o satélite bonzinho e pacífico mandou as primeiras fotos, devidamente divulgadas pela Rússia:

Russos requentando troladas (03)

Isso é um distrito comercial em Moscow. A sombra e a resolução são impressionantes, mas ainda fazem melhor: esta foto abaixo de Sidney foi tirada 8 de janeiro agora.

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Não fica aí. No mesmo dia tiraram esta foto do porto de São Francisco. Você sabe, pertinho de onde ficam as nuclear weassels.

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“Ah mas essas resoluções são mais ou menos as do Google Earth”.

Exato. Então temos três possibilidades:

1 — os russos gastaram uma fortuna em um satélite que não é melhor do que o que qualquer zé ruela como eu acessa de casa;

2 — os russos possuem um satélite-espião power-poderoso, estão reconstruindo suas capacidades e com essas imagens estão dizendo “olha, esse é o modo mais fraco, não-secreto. ESSE tipo de resolução nós não consideramos estratégico. Podemos ir muito além disso”;

Ah uma terceira possibilidade:

3 — essa é a resolução máxima dos satélites russos e eles estão blefando, fazendo com que os americanos acreditem que Moscow possui capacidades muito acima das reais mas…

Conhecendo Putin, você pagaria pra ver?

Russos requentando troladas (06)

Sobre Eduardo Santana

Apenas um eterno curioso e pesquisador. Autodidata e perfeccionista por natureza, desenhista e ilusionista nas horas vagas. Nasci no Rio de janeiro, resolvi postar o Pescadordebits no ar afim de compartilhar conhecimento inicialmente, porém, com o passar do tempo, vem se tornando algo bem maior, o que sinceramente não esperava, e acho ótimo isso.