Realidade Virtual, Matrix e os jogos de esportes

Nas “rodas de internet” só escuto uma coisa: Morpheus pra cá, Morpheus pra lá, muitas teorias da conspiração e pouca fundamentação. Mas o que será que ele trará para nós, jogadores?

O Morpheus, assim como o Oculus Rift, é um dispositivo que trabalha com a realidade virtual. Você lembra do Virtual Boy, um dos maiores fracassos da história dos videogames? Então, é praticamente a mesma coisa, só que agora para a nova geração, mais precisamente para o PS4.

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Para falarmos sobre este assunto, resolvi chamar um especialista na área. Rafael Roberto é pesquisador do Voxar Labs, um dos laboratórios da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), que trabalha diretamente com realidade aumentada e realidade virtual. Ultimamente ele vem fazendo pesquisas com o Google Glass, que apesar de ter uma proposta distinta do Morpheus, também é um display anexado à cabeça.

Veja a entrevista abaixo:

Thiago Simões: Qual a diferença entre realidade virtual e realidade aumentada?

Rafael Roberto: A diferença está na relação do usuário com o virtual. Na realidade aumentada, o conteúdo virtual é inserido no ambiente real de maneira integrada. Um exemplo disto é a linha de first down, do futebol americano. Lá, os jogadores e o campo são reais, mas esta linha é gerada por meio de um computador e posicionada no local correto, como se ela fizesse parte do campo.

Já na realidade virtual cria-se todo um ambiente artificial e a pessoa é colocada dentro dele. É como em um jogo de corrida na visão do piloto. Nele, os carros, a pista e as situações da corrida são todos criados pelo computador e a pessoa está imersa dentro desse mundo virtual.

TS: Existe alguma semelhança entre estas realidades?

Sim, ambas se propõem a criar uma relação mais natural entre o usuário e o conteúdo virtual de interesse. Por isso, vários dos dispositivos de visualização são usados tanto para realidade aumentada como realidade virtual. Além disso, do ponto de vista técnico, muitas técnicas e algoritmos servem para as duas.

TS: Qual a grande vantagem que a realidade virtual pode trazer para o jogador?

A grande vantagem do Morpheus, e de todos os outros displays desse tipo, é que eles aumentam a sensação de imersão do jogador, uma vez que ele não verá nada além do conteúdo gerado pelo jogo. O que não é verdade com os monitores atuais.

TS: Podemos falar que este periférico é uma versão moderna do antigo Virtual Boy, da Nintendo?

Sim, a ideia dos dois é a mesma. Duas telas, um pra cada olho, que simula a imersão total do usuário num ambiente 3D.

TS: Os periféricos Kinect, Move sempre foram de difícil aceitação dentro do nicho conhecido como hardcore, por isso você acredita que os voltados para a Realidade Virtual possam passar pelo mesmo problema? Por quê?

Esses periféricos citados são dispositivos de interação. Eles foram feitos para proporcionar uma interação mais natural do usuário com os jogos. Apesar de mais natural, o Kinect ou o Move limitavam as ações dos jogadores. Acredito que isso afastou os usuários hardcore.

Já os dispositivos de Realidade Virtual foram projetados para melhorar a forma de visualização do jogo. Esses dispositivos não vão limitar a jogabilidade, mas sim aprimorá-la com mais imersão. Porém, para esses aparelhos terem aceitação acho que vai depender do quão confortável eles serão para os usuários.

Por exemplo, o Virtual Boy mandava o usuário parar de jogar depois de um tempo para não causar enjoo. Este é um problema que muitos displays desse tipo possuem, pois as telas ficam muito próximas do olho. Caso o Morpheus tenha o mesmo problema, acredito que os jogadores hardcore vão evitar usá-lo, afinal ninguém vai querer ficar parando de jogar a cada 15 minutos. Atualmente o Oculus Rift promete resolver esse problema, mas eu nunca usei para saber se ele é realmente confortável.

TS: De que forma a Realidade Virtual poderia ser implementada em jogos de esportes, como futebol, basquete, futebol americano e UFC?

Ele pode ter um impacto significativo nesse tipo de jogos, pois possibilita colocar o jogador em primeira pessoa dentro de uma partida. Imagina você controlando o quarterback num jogo de futebol americano. Este óculos possibilitará você a ter uma visão que ele realmente teria dentro do campo. Isso é fantástico. O mesmo pode acontecer num jogo de corrida ou qualquer outro esporte. O jogador terá uma visão mais realista.

Vamos torcer para que o Morpheus transforme o mercado de games, trazendo mais imersão e principalmente interação. Se o aparelho fizer 50% do que Laurence Fishburne fez como Morpheus em Matrix, eu já ficarei contente. Creio que ele possa mudar muito a forma de jogar, principalmente dos jogos de esporte. E você, vai tomar a pílula azul ou vermelha?

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Fonte: kotaku

Sobre Eduardo Santana

Apenas um eterno curioso e pesquisador. Autodidata e perfeccionista por natureza, desenhista e ilusionista nas horas vagas. Nasci no Rio de janeiro, resolvi postar o Pescadordebits no ar afim de compartilhar conhecimento inicialmente, porém, com o passar do tempo, vem se tornando algo bem maior, o que sinceramente não esperava, e acho ótimo isso.